Prefeito Chico perde oportunidade de revisar o Plano Diretor do Transporte Público | Tribuna Popular

Prefeito Chico perde oportunidade de revisar o Plano Diretor do Transporte Público

Data: 16/07/2019 - 06:07 | Categoria: Política |   Bookmark and Share

Intervenção Municipal da Prefeitura terminou sem resolver o problema dos usuários; dívida com trabalhadores gira em torno de R$ 3 milhões

Viagens desconfortáveis, linhas sobrepostas, ônibus lotados. A rotina desagradável de quem precisa do transporte público em Foz do Iguaçu se arrasta há pelo menos dez anos. Isto porque o último estudo de grande porte feito para nortear as ações do setor no município foi realizado em 2009, durante a gestão do ex-prefeito Paulo Mac Donald. O levantamento ocorreu em paralelo ao processo licitatório vencido no ano seguinte pelo Consórcio Sorriso, grupo empresarial que passou a deter a exploração do serviço na cidade, alvo constante de inúmeras queixas de seus usuários.

"Quem utiliza o transporte público de Foz sabe o sacrifício que é. Em horários de pico as viagens acontecem com os ônibus muito cheios, finais de semana quase não se vê ônibus pelos bairros. Parece que o serviço é feito para não atender as necessidades de quem mais precisa. Isso precisa revisto, com urgência", avalia a usuária Márcia Savino. Moradora do bairro Três Lagoas, a comerciante trabalha na região do bairro Yolanda e transita ao menos duas vezes por dia dentro dos ônibus públicos de Foz do Iguaçu. "Não é uma tarefa fácil. A gente utiliza porque não tem condição de pagar por algo melhor. Se o político também utilizasse, certamente a situação seria diferente", criticou.

A possibilidade de melhoria foi anunciada em janeiro passado pelo prefeito Chico Brasileiro. Na oportunidade, o chefe do Executivo decretou intervenção do Município sobre o consórcio Sorriso. Com a medida, a prefeitura assumiu toda a gestão do transporte público da cidade. Entre as justificavas apontadas para a intervenção municipal, constava a má prestação do serviço aos usuários e também o atraso no pagamento dos salários de parte dos trabalhadores. À época, a extinção do contrato vigente chegou a ser cogitada, porém, a ideia não prosperou. A intervenção municipal terminou ao final do mês de maio sem pagar as dívidas com os funcionários e sem garantir as melhorias aguardadas pelos passageiros.

Na avaliação do presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Foz do Iguaçu (SITRO-FI), Dilto Vitorassi, o prefeito perdeu a oportunidade de "passar a limpo o transporte público da cidade". "Estive reunido com o prefeito logo que intervenção foi decretada. Nesta oportunidade disse a ele sobre a chance única que sua administração teria de consertar o serviço de transporte público em Foz. Destaquei também a necessidade de atualização do Plano Diretor do Transporte. Com este estudo em mãos a Prefeitura poderia apresentar as reais necessidades dos usuários. Infelizmente, o estudo não foi feito", lamentou o sindicalista.

Outra situação criticada por Vitorassi tratou sobre a dívida trabalhista da concessionária. "A dívida era de R$ 4,5 milhões e atualmente está em cerca de R$ 3 milhões. Ou seja, de que valeu esta intervenção se os problemas de antes continuam praticamente os mesmos?", questionou.

Procurado pelo jornal Tribuna Popular, o diretor do Foztrans, Fernando Marinchini, reconheceu a necessidade de atualização do Plano Diretor do Transporte Público e justificou sua ausência em razão dos custos que o estudo demandaria. "Um trabalho dessa envergadura custaria em torno de R$ 1 milhão. Será que valeria a pena gastar com isso agora?", pontuou o representante de Chico Brasileiro.

Sobre a dívida da concessionária com os trabalhadores, o diretor do Foztrans afirmou que o R$ 1,5 milhão pago durante a intervenção só foi viabilizado graças à participação da Prefeitura e do Foztrans junto às negociações entre empresas e sindicato. "Além disso, a orientação é para que os trabalhadores que ainda não receberam recorram à Justiça para fazer valer seus direitos".

Quanto à decisão de manutenção do contrato, Fernando justificou sua continuidade com base nos riscos que a extinção poderia trazer para o funcionamento do transporte público em Foz. "E se nós suspendêssemos o contrato e não aparecesse uma nova empresa interessada? Além disso, um novo contrato certamente iria impactar no aumento da passagem e isso ninguém quer. Por conta destas razões decidimos manter o contrato vigente e buscar as melhorias necessárias em diálogo constante com o consórcio", explicou.

Enquanto prefeitura e sindicato não se entendem sobre qual o melhor caminho para o transporte público da cidade, o passageiro paga a conta. "Uma conta cara por um serviço que não atende como deveria. Alguém está ganhando com isso, certamente não somos nós", finaliza Márcia Savino em nome dos usuários.

Fonte:

http://www.jtribunapopular.com.br/uploads/publicacoes/jornal-tribuna-popular-edicao-263-pdf.pdf   





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