Polícia conclui inquérito da Operação Rota Oculta e indicia sete pessoas | Tribuna Popular

Polícia conclui inquérito da Operação Rota Oculta e indicia sete pessoas

Data: 11/10/2018 - 12:10 | Categoria: Segurança |   Bookmark and Share

A polícia concluiu ontem, quarta-feira 10 de outubro de 2018 o inquérito da Operação Rota Oculta, que apura um suposto esquema criminoso envolvendo o transporte escolar em São Miguel do Iguaçu, no oeste do Paraná. Sete pessoas foram indiciadas por fraude a licitação e organização criminosa.

O inquérito tem mais de duas mil páginas. De acordo com a Divisão de Combate à Corrupção, da Polícia Civil, o material apreendido revela como funcionava o esquema para receber do município quilometragens que não eram percorridas pelos ônibus do transporte escolar.

Cinco suspeitos são presos em operação que apura irregularidades no transporte escolar de São Miguel do Iguaçu

O empresário Rui Omar Novicki Júnior é apontado como o líder do esquema. Segundo as investigações, Júnior era o verdadeiro dono de duas empresas e passava as ordens a Nelson Quintino, gerente de uma dessas empresas.

Em uma gravação telefônica autorizada pela Justiça, Nelson Quintino foi flagrado orientando um motorista a rodar com os ônibus em trechos sem alunos.

A polícia afirma que, nesse momento, eles já tinham conhecimento da investigação. Então tentou registrar no tacógrafo, o equipamento que marca quilometragem, os dados conforme estavam na licitação.

A delegada Rita de Cássia Camargo Lira, da Divisão de Combate à Corrupção, afirma que os indícios de irregularidades aparecem ainda na antes da licitação.

Em uma cotação de preços, feita pela prefeitura, um documento aparece com a marca de uma empresa – a Konigin – e o carimbo de outra, a SMI Transportes.

A polícia também encontrou irregularidades no registro dos motoristas. Em pelo menos cinco carteiras, a data da contratação não está correta.

Quintino, Júnior, e o irmão de Júnior – Luis Fernando Novick – continuam presos. A enteada de Júnior, Mayara Ramires, está em prisão domiciliar.

Segundo as investigações, o irmão e a enteada de Júnior são os donos de fachada das empresas.

A polícia também decidiu indiciar por fraude a licitação e organização criminosa duas funcionárias da Prefeitura de São Miguel do Iguaçu. Segundo a delegada, elas não agiram para evitar as supostas fraudes.

Outro indiciado é o vereador Silvio Marcos Murbak. Para a polícia, há indícios do envolvimento dele no esquema. Uma testemunha afirma que Murbak se identificou como sócio da empresa Konigin na locação de uma sala comercial.

O inquérito já foi repassado ao Ministério Público, que vai decidir se oferece denúncia à Justiça.

Outro lado

A defesa de Rui Omar Novicki Júnior, Nelson Quintino da Luz, Luis Fernando Novick e Mayara Ramires disse que ainda não teve acesso ao inquérito e que aguarda eventual denúncia do ministério público para se manifestar.

A defesa também afirma que a inocência dos investigados será comprovada.

A defesa do vereador Marquinhos Murbak disse que só vai se manifestar quando tiver ciência dos fatos imputados e do levantamento feito pela polícia.

No entanto, desde já afirma que o vereador nunca teve qualquer participação em nenhuma das contratações feitas pelo município de São Miguel do Iguaçu.

A Prefeitura de São Miguel do Iguaçu declarou que as funcionárias indiciadas não têm envolvimento na licitação e não cometeram os crimes apontados pela Polícia Civil.

A prefeitura declarou ainda que abriu uma sindicância no transporte escolar e que as medições têm demonstrado que a quilometragem está correta. (Fonte: G1)

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