Novos vereadores pregam moralismo, mas colocam vereador da Pecúlio na Comissão de Justiça da Câmara | Tribuna Popular

Novos vereadores pregam moralismo, mas colocam vereador da Pecúlio na Comissão de Justiça da Câmara

Data: 03/01/2017 - 11:01 | Categoria: Política |   Bookmark and Share

Como a cidade e o país inteiro acompanhou o vereador Beni Rodrigues Pinto, do PSB, mesmo partido do ex-prefeito Reni Pereira, foi preso na Operação Pecúlio juntamente com outros 11 vereadores. A prisão era temporária. Cinco dias depois ele saiu da cadeia para reassumir a função e como era vice-presidente passou a dirigir as últimas duas sessões da Câmara. Foi mais um escândalo que a imprensa nacional acompanhou.

Quando a sociedade esperava uma atitude como pedido de afastamento, eis que o vereador reeleito toma posse e ainda é agraciado pelos novos vereadores com um cargo na Comissão de Justiça e Redação. O acordo ocorreu porque na montagem da chapa para eleição da mesa diretora, Beni votou na chapa do chamado Grupo dos Oito (oito vereadores que assumiram pela primeira vez). Beni teve a recompensa.

A Comissão de Justiça e Redação é a mais importante da Câmara por onde transitam todos os projetos. Para as proposições transitarem em outras comissões, primeiro é necessário o parecer máster da Comissão de Legislação, Justiça e Redação. Beni se tornou membro dessa comissão com a anuência do Grupo dos Oito, que vem pregando moralidade, mas permitiu um vereador preso na Pecúlio ocupar essa função na Câmara.

A atitude desses novos vereadores contraria a vontade popular. Manifestantes estiveram na solenidade de posse exigindo que Beni renunciasse. O G-8 é formado pelos vereadores Inês da Saúde (PSD); Rogério Quadros (PTB); Elizeu Liberato (PR); Marcio Rosa (PSD); Protetor Jorge (PTB); João Miranda (PSD); Jeferson Brayner (PRB); e Celino Fertrin (PDT). 

 

Beni é acusado de corrupção e “intensa participação na organização criminosa”

No processo da Operação Pecúlio, o vereador Beni Rodrigues é acusado de corrupção. A exemplo da maioria dos vereadores da legislatura passada, ele exigia vantagens indevidas para dar apoio político ao prefeito Reni Pereira na Câmara e aprovar os projetos de interesse da organização criminosa. Dentre estas vantagens está a nomeação de pessoas indicadas por ele em cargos estratégicos como na Secretaria de Saúde. Estas pessoas agilizavam agendas de consultas e exames para eleitores do vereador, tanto que se reelegeu.

Da mesma forma em ao menos uma das oportunidades exigiu e recebeu do prefeito pagamento de um “décimo terceiro”. Tudo está confirmado pelos documentos de nomeações e interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal com autorização do Judiciário.

No processo, o Ministério Público Federal escreveu: “Importante ressaltar que a compra do apoio político da Câmara dos Vereadores ocorria especialmente de duas formas, quais sejam: A) exigência de nomeação de pessoas indicadas pelos Vereadores para cargos em comissão na administração pública e em empresas terceirizadas que participavam do esquema delituoso; e B) pagamento mensal em espécie, além de “quotas” extras nas vésperas de votações de projetos de lei com maior relevância”.

Com o aprofundamento das investigações, “constatou-se que todos os vereadores, a exceção de Nilton Bobato, inclusive aqueles da oposição, indicavam cada de dois a sete cargos comissionados na Prefeitura de Foz do Iguaçu e de sete a vinte nas empresas terceirizadas. Inclusive, a servidora Neura Schossler era a responsável por manter e atualizar uma planilha com nome, cargo, local de trabalho, e nome do vereador correspondente”.

Ao decretar a prisão temporária do vereador, o juiz federal Pedro Aguirre, escreveu: “Beni Rodrigues teve participação intensa na organização criminosa investigada, exigindo de agentes do Poder Executivo a nomeação de pessoas em troca apoio político, bem como fazendo uso de seu cargo para resolver problemas de seus amigos. Sem falar na provável prática de crimes eleitorais, há nos presentes autos digitalização de declarações prestadas por investigados que optaram por colaborar com a justiça, as quais dão conta de que ele é um dos vereadores que se beneficiam do esquema denominado mensalinho”.

Nas interceptações telefônicas, segundo o MPF, Beni exigiu dentre outros nomes a nomeação de cargos CC´s inclusive de um filho dele em troca de apoio político na Câmara. Em um dos telefonemas, quando Reni confirma que vai nomear a pessoa, o vereador responde: “Então beleza. E aí vamos aprovar o ISSQN para você ver quem são seus parceiros, beleza?”. De fato, a pessoa foi nomeada e o projeto de aumento de ISS para vários setores, inclusive na área de turismo, foi aprovado.

Outra fato é que Beni foi flagrado nas interceptações exigindo mais nomeações para ajudar a barrar as investigações na Câmara sobre Caixa 2 na Secretaria de Informática. A pasta era comandada na época pelo principal operador do esquema de corrupção, Melquizedeque de Souza.

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