Foz vive surto de leishmaniose e prefeitura não toma providência | Tribuna Popular

Foz vive surto de leishmaniose e prefeitura não toma providência

Data: 10/07/2018 - 21:07 | Categoria: Política |   Bookmark and Share

Programas como de castração e prevenção estão paralisados na gestão Chico Brasileiro

Foz do Iguaçu voltou a ser notícia em torno de um problema grave com sérias consequências para a saúde pública, que é o abandono de animais que acabam perambulando pelas ruas. A cidade atinge momento crítico com um surto de Leishmaniose, doença grave que afeta os cães e é transmissível ao homem. Sem um diagnóstico rápido e tratamento, a doença é fatal nos humanos.

Foz do Iguaçu tem leis importantes nessa área como a da posse responsável de animais e a de castração gratuita de cães e gatos em situação de abandono. Entretanto, estas normas não são cumpridas na gestão do prefeito Chico Brasileiro. Todos os programas estão parados e o Centro de Controle de Zoonoses sem a estrutura adequada para enfrentar o problema.

A situação vem se agravando. Em três anos mais de 4.500 animais contraíram a doença. Em 2015 foram registrados 790 casos. Em 2016 subiram para 1.057; e em 2017 foram 2.705 casos confirmados. Neste ano já foram confirmados 92 casos e 279 cachorros passaram pelo exame e aguardam a confirmação da doença. A Vigilância Epidemiológica identificou quatro casos em humanos e uma morte em 2018.

O último censo realizado por ocasião da campanha antirrábica de 2014 revelou a existência de 47.304 cães e 7.676 gatos em Foz do Iguaçu, isso sem contar os de rua. A Organização Mundial da Saúde recomenda a proporção de um cão para sete pessoas, ou seja, a cidade está com uma superpopulação de cães. Considerando a estimativa de 264 mil habitantes, Foz do Iguaçu deveria abrigar, no máximo, 37,7 mil cães, ou seja, somando os de ruas estima-se quase o dobro do recomendável pela OMS. A estimativa é de que 85% dos cães e 65% dos gatos da cidade não são castrados.

Administração parada

A administração do prefeito Chico Brasileiro segue assistindo ao problema do avanço da doença sem adotar medidas eficazes. A falta de ação que se vê em vários setores nesta gestão atinge também a saúde colocando em risco a saúde da população. Os protetores, que são os voluntários que atuam no acolhimento e tratamento de cães e gatos abandonados, reagiram à total inércia do governo Chico.

Uma das reivindicações é que a prefeitura coloque em prática o programa de castração gratuita que é lei municipal flagrantemente desrespeitada pela prefeitura. Outra medida é a retomada das campanhas de conscientização sobre a posse responsável de animal, o que também é lei. Essa norma prevê penalidades para quem maltrata animais, porém ninguém nunca foi punido por falta de fiscalização efetiva do Poder Executivo Municipal.

Os protetores também cobram estrutura adequada no Centro de Controle de Zoonoses para programas de prevenção como diagnóstico, orientação e tratamento, além da participação integrada com outros órgãos para o serviço de castração. A falta de pessoal, inclusive de veterinários, dificulta a implantação dos programas de prevenção. Outra reivindicação é que os valores inseridos no orçamento para atendimento à causa animal sejam liberados, inclusive como subsídio para os protetores, que vivem de doações ou usam de dinheiro próprio para manter os animais. O custo é altíssimo, principalmente com alimentação. Muitos protetores, quase todos, estão endividados.

ENTENDA O RISCO DA LEISHMANIOSE

Doença é transmitida através do mosquito-palha, muito comum no ambiente urbano

A Leishmaniose é uma doença causada por um protozoário, ou seja, própria de animais, mas pode ser transmitida para seres humanos. O parasita é transmitido entre animais (cães e roedores) através da picada de certos tipos de mosquito, sendo o principal mosquito-palha, muito comum em ambientes urbanos. Quando o mosquito infectado pica um ser humano, a doença é transmitida para o homem.

A doença pode se manifestar de três maneiras diferentes e ser causada por até 30 tipos de protozoários do gênero leishmania. O animal mais afetado pela doença é o cachorro, que também serve de principal hospedeiro do parasita. A leishmaniose cutânea afeta a pele, formando feridas e úlceras, sendo esta a versão mais comum. As feridas podem ser grandes e doloridas.

A leishmaniose mucocutânea é parecida com a anterior, apresentando úlceras e atacando também a pele, as mucosas e cartilagem. A boca e o nariz são afetados e esse tipo da doença pode causar sérias deformações faciais, podendo praticamente devorar os lábios, orelhas ou nariz por inteiro.

Leishmaniose visceral

A versão visceral da leishmaniose também é conhecida como calazar. Está versão é a mais rara e a mais perigosa das três. Ela causa úlceras nos órgãos internos do paciente. O baço, o fígado e a medula óssea são afetados e, se não tratada, esta condição leva a morte.

Causas

Através da picada do mosquito-palha infectado, o parasita causador da leishmaniose é transmitido para o ser humano ou animal e a doença se instala. Os mosquitos são pequenos, capazes de passar pela malha de muitos mosquiteiros e telas. São encontrados em lugares úmidos, escuros e com plantas próximas. Se um desses mosquitos pica um mamífero contaminado e consome sangue com o parasita, a leishmania passa a se reproduzir no intestino do inseto.

Os parasitas da leishmaniose podem sobreviver ao processo de fagocitose. É através da fagocitose que as células fagocitárias do sistema imunológico destroem agentes infecciosos. Estas células envolvem o agente da infecção e utilizam ácidos para eliminá-lo. Ao sobreviver ao ácido, o parasita contamina o macrófago e usa sua energia para se reproduzir, finalmente matando a célula e liberando mais parasitas que irão contaminar outras células.

Sintomas da doença em humanos

Os sintomas da leishmaniose variam de acordo com o tipo da doença. A versão cutânea da doença apresenta apenas úlceras na pele. Se o sistema imunológico consegue eliminar as células fagocitárias infectadas, estes sintomas podem ser leves ou nem aparecer. Entretanto, caso não a doença consiga passar para a próxima fase, as úlceras podem ficar grandes no processo.

Quando a leishmaniose torna-se mucocutânea, ela é capaz de afetar o nariz, a boca e as demais mucosas. Os sintomas da versão cutânea tornam-se muito mais graves. O rosto pode ficar deformado devido a destruição de tecido cartilaginoso. O nariz inteiro pode ser consumido por úlceras, assim como lábios, orelhas e pedaços do rosto.

Na versão visceral da doença, os órgãos internos são afetados. Estes sintomas costumam se manifestar em torno de quatro a oito meses depois da infecção, mas podem levar até dois anos para sua aparição. Nos casos em que o paciente é imunocomprometido, alguns dias podem bastar.

Descamação de pele

A doença se manifesta, inicialmente, através de descamação da pele, especialmente no nariz, queixo, boca, orelhas e couro cabeludo. É frequente que haja confusão com caspa neste último caso.

Calombos no couro cabeludo

Os calombos causados pela leishmaniose costumam surgir no couro cabeludo. Devido a coceira do paciente, podem se tornar feridas, mas nem sempre acontece.

Febre

A infecção pelo parasita pode causar febre. Ela é intermitente (pode ir e voltar em intervalos indefinidos) e pode durar semanas. (Fonte: minutosaudavel.com.br)

Fonte:

http://www.jtribunapopular.com.br/uploads/publicacoes/jornal-tribuna-popular-edicao-237-pdf.pdf   

Atenção

A reprodução das fotos do Portal de Notícias Tribuna Popular com endereço digital jtribunapopular.com.br está expressamente proibida.

As fotos são protegidos pela legislação brasileira, em especial pela Lei de Direitos Autorais (Lei Federal 9.610/98) e é um direito de imagem garantida por lei.

A Tribuna Popular retém os direitos autorais do conjunto de textos e fotos publicados no site conforme a lei 9.610 de 19/02/1998.

Para a reprodução do conteúdo fora das condições especificadas entrar em contato com o seguinte e-mail jtribunapopular@bol.com.br