Eleitorado brasileiro no exterior aumentou 41% em dois anos | Tribuna Popular

Eleitorado brasileiro no exterior aumentou 41% em dois anos

Data: 01/10/2018 - 21:10 | Categoria: Nacional |   Bookmark and Share

Para especialista, crescimento é motivado por preocupação com crises no país

Eliane Bacelo, 55, não vota há 28 anos, desde que emigrou com a família do Rio de Janeiro para os Estados Unidos, primeiro para Nova York e depois para Fort Lauderdale, cidade ao norte de Miami, na Flórida. Ela conta que não se achava no direito de opinar, por viver em outro país. Neste ano, preocupada com o que chama de caos no Brasil, mudou de ideia. Regularizou o título, assim como o marido.

O casal faz parte dos 500.729 mil eleitores brasileiros no exterior que estão aptos para votar nas eleições presidenciais deste ano, de acordo com dados do cartório da zona eleitoral do exterior do TRE-DF, responsável pelo atendimento de todos os eleitores domiciliados fora do país. Isso representa 0,3% do total do eleitorado do Brasil nas eleições de 2016, que foi de 144 milhões de pessoas.

O número é semelhante ao eleitorado de São José dos Campos, no interior paulista, que tem cerca de 509 mil eleitores. Comparado a 2014, quando eram 354.184 mil eleitores fora do país, o crescimento foi de 41%.

Juliana Bandeira, chefe do cartório, informa que apenas em 2018 foram processadas mais de 77 mil solicitações de alistamento ou transferência eleitoral por meio do sistema Título Net Exterior.

Para o professor de relações exteriores da UERJ Maurício Santoro um crescimento expressivo do eleitorado fora do país pode ser reflexo do aumento de brasileiros no exterior e da preocupação com o cenário do país.

“Talvez motivados pela situação de crise do Brasil, esses brasileiros que estavam fora resolvam votar”, diz.

A farmacêutica Márcia Tanaka, 38, e a universitária Samantha Moura, 24, transferiram o título em fevereiro. Elas dizem acompanhar as notícias do país com preocupação e consideram importante exercer o papel político.

Uma parcela do eleitorado ainda passa despercebida pelos candidatos. “De maneira geral, os políticos brasileiros ainda não acordaram para a importância desse eleitor que vive fora do país, mas isso está começando a mudar. Tem o caso do Bolsonaro, que tem feito uma série de comícios no exterior voltados exatamente para esse público”, diz.

Em fevereiro, o deputado federal e presidenciável esteve na cidade japonesa de Hamamatsu e depois seguiu para a Coreia do Sul e Taiwan.

América do Sul

Na América do Sul, Paraguai e Argentina apresentam o maior número de eleitores inscritos para votar neste ano. O Paraguai tem 7.526 eleitores, número próximo ao também registrado pela Argentina (7.163). A Bolívia é o 3º país com mais eleitores no continente: 3.053.

TRE-DF

Segundo o porta-voz do TRE-DF, responsável por organizar as eleições no exterior junto com a Rede Consultar brasileira, a maioria das seções eleitorais fica nas sedes das embaixadas ou em repartições consulares do Brasil nos países. Os próprios funcionários dos locais costumam também desempenhar a função de mesários, além de outros eleitores convocados.

A chefe do cartório do exterior, Juliana Bandeira, diz que 39 seções eleitores não serão instaladas nestas eleições porque não alcançaram o número mínimo de 30 eleitores. E não haverá votação na seção eleitoral de Damasco, na Síria, apesar de 195 eleitores estarem inscritos, por causa da "volatilidade das condições de segurança", "com potenciais riscos nos deslocamentos de eleitores brasileiros".

Nestas eleições, 10.697 eleitores inscritos no exterior votarão em urnas de lona (e não em urnas eletrônicas). Esse número representa apenas 2,1% do total de brasileiros cadastrados para votar fora do país. Quase a metade desse eleitorado (47,1%) que deve votar em urnas de lona reside em países da América do Sul. (Com informações da Folha de São Paulo e G1)

Foto:  O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) é recebido por apoiadores em Hamamatsu, no Japão - Osny Arashiro - 25.fev.2017/Folhapress

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