Depoimentos de corréus reforçam delações para prejudicar Anice Gazzaoui | Tribuna Popular

Depoimentos de corréus reforçam delações para prejudicar Anice Gazzaoui

Data: 28/11/2017 - 17:11 | Categoria: Política |   Bookmark and Share

O Tribuna Popular teve acesso a um documento sigiloso em trâmite na 3ª Vara Criminal Federal de Foz do Iguaçu e consta nos autos sob Segredo de Justiça no bojo da Operação Pecúlio.

Jornalista Enrique Alliana / Tribuna Popular - Foto: Divulgação

Depoimentos de corréus desmontaram no processo da Pecúlio uma articulação por meio de delações para tirar réus da prisão e envolver nomes de políticos para que as colaborações premiadas fossem homologadas. A orientação teria sido feita por advogados, alguns nesse momento identificados e que estão sendo desmascarados em juízo. No fim, são delações sem prova, porém que resultaram em enorme prejuízo a determinadas lideranças, inclusive da oposição que nada tinham a ver com o grupo da prefeitura como a vereadora Anice Gazzaoui.

Durante depoimento em juízo o ex-secretário de Obras, Evori Patzlaf, corréu no processo da Operação Pecúlio, confirmou que delações teriam sido combinadas entre presos enquanto permaneciam no setor de custódia da Polícia Federal. Evori declarou que esteve preso por oito meses ficando inicialmente na carceragem da PF por mais de um mês onde passaram, dentre outros presos, Gilbert Trindade, Charles Bortolo, Carlos Budel, Girnei de Azevedo, Luiz Carlos "Cal", Euclides de Moraes Barros Junior, Rodrigo Becker e Melquizedeque de Souza.

"Presencie as conversas entre eles (delatores)"

Segundo Evori, na carceragem houve entendimentos para que houvesse as delações. No total, 12 acusados fecharam acordo de colaboração com a justiça e deixaram a prisão. "Presencie na carceragem da Polícia Federal as conversas entre eles (delatores). O Rodrigo, por exemplo, ficava conversando com outros antes e depois de saírem da sala de depoimento. O Budel queria saber comigo sobre alguns assuntos que não tinha conhecimento. Girnei também perguntou", disse Evori.

Conforme declarou, os réus que pretendiam fazer colaboração com o Ministério Público para sair logo da prisão buscavam informações com os outros. "Budel queria em um momento saber também sobre item da área de canoagem da Itaipu porque ele não tinha informações sobre isso. Isso porque tinha que apresentar tópicos que fossem de interesse do Ministério Público", informou.

Becker pressionava os outros

Em relação a Rodrigo Becker, o ex-secretário de Obras comentou que o delator buscava informações com outros presos como Luiz Carlos "Cal". Afirmou que Becker chegou a pressionar Cal dizendo que ele sabia de muita coisa (por ser do setor de pagamentos da prefeitura) e poderia ajudar na delação que estava fazendo. "Conversava com ele para pegar informações, querendo pressionar Cal para confirmar coisas que ele iria delatar", expôs.

Lembrou de uma vez quando Rodrigo ficou mais de duas horas depondo e eram por volta das 22h.

"Não aguento mais ficar aqui"

Evori também revelou que alguns presos entraram em desespero e queriam fazer qualquer coisa para deixar a prisão. "O Charles disse tenho que sair daqui. Não aguento mais. Vou falar aí que roubei uns R$ 100 mil, depois dou um jeito de devolver (pagar) isso e vou ter a liberdade, fazer minha delação e sair daqui", informou.

Para Evori, "quem estava preso queria sair e MPF estava aceitando denúncias. Charles pensava em dizer sobre Costa Cavalcante e como seria pago uma conta lá. Até o Luiz Carlos disse assim: Charles, como você vai assumir coisas que você não fez?.

Também teve o Gilber tentando fechar acordo na época, mas não evoluiu. Colocaram um monte de coisa que não aconteceu. Falavam em delatar e depois lá fora iriam tentar reunir provas. Cada um iria se proteger".

Fonte:

http://www.jtribunapopular.com.br/uploads/publicacoes/jornal-tribuna-popular-edicao-222-pdf.pdf   

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