“Cidade do conhecimento” em Foz recebe 40 mil pessoas por ano | Tribuna Popular

“Cidade do conhecimento” em Foz recebe 40 mil pessoas por ano

Data: 25/07/2016 - 16:07 | Categoria: Turismo |   Bookmark and Share

Centro de Estudos da Conscienciologia abre para visitação todos os dias. Bairro em que fica possui 7 milhões de m² e em torno de 850 voluntários.

Pra onde vamos depois da morte? O que acontece com a nossa alma? Nosso espírito? Com a nossa consciência? Seguimos para outra dimensão? Para outro plano? Será que já não estivemos neste mundo antes? Em outro corpo, em outra vida?

O pesquisador Pedro Fernandes coordena um grupo de pessoas que estuda a possibilidade da existência de vidas passadas. Médico de formação, ele se reveza entre o consultório e o centro de pesquisas.

"Nós consideramos que a pessoa, hoje, é fruto de uma série de vivência e existências que ele teve no passado. Então, pesquisando essas memórias, ela consegue entender melhor o dia de hoje, as reações que tem, o temperamento, a convialidade, dentro de um contexto familiar, então, a pessoa vai pesquisando a razão de ser", explica.

"O fato é que ela entende melhor o que ela é hoje. Nós trabalhamos de modo a propiciar que ela lembre dessas vidas, a retrocognição", acrescenta.

Com frequência, eles organizam eventos para tentar despertar essas memórias. Pesquisam alimentos, músicas, roupas e costumes: tudo para tentar identificar no presente alguma personalidade histórica.

"Eu, desde a minha infância, me via em um escritório escrevendo. Desde então, já são 25 anos. Eu tenho a hipótese de ser um lexicógrafo francês", acredita.

CONSCIENCIOLOGIA

Muitos desses estudos, como esse de vidas passadas, são realizados no Centro de Altos Estudos da Conscienciologia (Ceaec) de Foz do Iguaçu, na região oeste do Paraná. É uma grande estrutura que valoriza principalmente o conhecimento.

O Ceaec foi construído em uma grande área verde, local criado para funcionar como um centro de produção intelectual. O espaço é livre para conhecer melhor o passado, entender o presente e planejar o futuro.

No local, são centenas de áreas de estudo. Em uma gigantesca biblioteca, chamada de Holociclo, estão milhares de livros: títulos de todos os gêneros imagináveis, tudo à disposição para ser consultado.

"É uma religião? É uma ceita? O que é essa conscienciologia? A nossa proposta é ter uma postura científica perante aos fenômenos paranormais e parapsíquicos", explica a coordenadora do Holociclo, Cristiane Ferraro.

As informações dos livros dividem espaço com quase um milhão de objetos. São coleções inteiras: bonecas, miniaturas, de concha. Só de gibis, são 35 mil exemplares. É uma das maiores gibitecas da América Latina. Há também revistas em 16 idiomas.

"Esse é um espaço de pesquisa, educação, difusão e democratização do saber. A Holoteca é um mega mostruário do conhecimento humano. A pessoa entra de um jeito e sai de outro jeito", explica a coordenadora da Holoteca, Luziânia Medeiros.

EXPERIÊNCIAS

Por toda a Cognópolis, como foi batizado o espaço inteiro, é possível encontrar vários locais para experiências de autoconhecimento. Em um deles, a ideia é que a pessoa passe três dias, ou seja, 72 horas, sozinha, pensando na vida.

Entretanto, não é preciso passar aperto. Uma estrutura completa oferece todo o conforto: escritório, cozinha, quarto e banheiro.

"Eu já fiz o experimento. Foi um divisor de águas, foi Ana Ruiz antes e Ana Ruiz depois. Você começa a se enxergar de forma diferente. Você faz uma reflaxão da vida, de tudo o que você vivenciou até agora. Então, ele te dá um knowhow muito bom de você. Por outro lado, com as pesquisas, você consegue ter mais ideias, parece que você consegue fica mais inteligente e a critividade transborda. Você consegue ter muitas ideias sobre temas de pesquisa", diz a voluntária Ana Ruiz.

E é justamente para pesquisar e "ficar mais inteligente" que um grupo de jovens foi até o local. Eles trocaram o futebol, a festa com os amigos, por um curso para acelerar a evolução. E tem gente que fez essa opção bem cedo. O Nicholas tem 13 anos e começou a estudar a conscienciologia porque, aos oitos anos, passou a ver amigos invisíveis.

"Aí, eu tive conhecimento desses amigos invisíveis, soube que eles não eram do mal e comecei a olhar isso de outra forma, que eles não iam me fazer mal. Eles continuam, só que, agora, mais adultos", explica.

Esses pequenos estudantes da conscienciologia vêem a maturidade intelectual chegar bem cedo. Por isso, não querem perder tempo. Pelo contrário, preferem andar ou correr de acordo com os dias de hoje. Querem se planejar para alcançar os objetivos logo, sem desvios de rota.

FORMAÇÃO DE LÍDERES

O jornalista e pesquisador da conscienciologia Alexandre Nonato teve uma adolescência dedicada aos estudos e, hoje, passa essa experiência para os outros.

"Porque a nossa vida, às vezes, tem certas imposições sociais que a pessoa simplesmente  cresce, estuda, casa, tem filhos e fica por isso. Ela se enrola, às vezes, nessas situações e certos valores pessoais ficam de lado. Então, a gente procura trabalhar isso com o jovem", explica.

Ainda segundo ele, desde cedo, ele incentiva os jovens a pensar em si. "O que que você quer pra você? Você está sendo pensado por outros ou você está pensando por você? Quem é a sua consciência? O que você deseja pra você? E, desde jovem, eles começam a planejar a sua vida, o que querem efetivamente para a profissão, o que vão fazer e como vão se preparar para isso", acrescenta.

Ainda conforme Alexandre, de Cognópolis, saem líderes, autores de livros, professores e outros profissionais. "São pessoas que estão pensando na sua vida e a gente vê, por casos práticos, que as pessoas se desenvolvem de uma forma a serem líderes na sociedade, de projetos sociais", conclui.

COGNÓPOLIS

Ao redor do Ceaec, os pesquisadores da conscienciologia que vieram para Foz do Iguaçu construíram 11 condomínios residenciais e um condomínio empresarial para abrigar mais de 20 associações de estudo.

A região cresceu tanto que se tornou um bairro com sete milhões de metros quadrados. Pela Cognópolis, a cidade do conhecimento, passam cerca de 40 mil pessoas por ano.

Para toda essa estrutura funcionar, a participação de um grupo de pessoas é fundamental. Só em Foz do Iguaçu, são quase 850 voluntários. Gente que veio de outras cidades, estados e até países para ficar.

"A maioria tem formação superior, alguns tem mestrado, outros doutorado. Tem advogados, médicos...", conta a pesquisadora Cristiane Ferraro.

No ritmo da migração de tantos profissionais, a região onde fica o centro, que um dia já foi chamada de área rural, ganhou status de área nobre. Hoje, a vizinhança tem condomínios onde todos dividem o mesmo endereço e, principalmente, os mesmos interesses.

O administrador do Ceaec, Antônio Magalhães, por exemplo, é português. Ele já trabalhou no Vaticano, bem perto do Papa João Paulo II, experiência que trouxe pra Foz quando adotou a cidade como casa. De Portugal, trouxe mesmo só o sotaque.

"Eu comprei um sítio no Espírito Santo e, por coincidência, era ao lado de um centro de conscienciologia e comecei a conhecer as ideias dessa ciência. Aí, comecei a achar respostas para perguntas que até então não tinham", explica.

A chegada dos visitantes em busca da evolução da consciência atraiu também investimento econômico. O símbolo máximo do projeto tem 300 quartos e foi construído bem ao lado do Ceaec: um hotel para receber visitantes e pesquisadores em busca de um turismo ainda pouco falado, mas com grande potencial, o turismo intelectual.

O turistas estão, de fato, chegando. O estilo é o mesmo de quem quer conhecer o que talvez só tenham visto pela tv, passos lentos, olhar em busca das novidades.

"Professor Waldo" é como o pessoal chama o médico e parapsíquico Waldo Vieira, que foi o idealizador da conscienciologia. Ele faleceu no ano passado, aos 83 anos, mas a ciência e a estrutura planejadas por ele seguem rendendo frutos.

"Foi tudo planejado. Em 1995, quando foi fundado o Ceaec, houve uma inauguração para a cidade e, na ocasião, se falou que íamos investir US$ 13,5 milhões. Muita gente achou que era loucura da cabeça porque era uma região muito rural", explica o presidente da Associação Internacional para Expansão da Conscienciologia, César Cordioli.

Ainda conforme ele, hoje, se constata que só a área dos terrenos já superou o valor. "Todas as construções que existem aqui, o hotel, tudo contribuiu muito para o crescimento do bairro", afirma.

Aos poucos, o que foi tratado como "loucura" virou um bairro em desenvolvimento. Onde antes era só calçamento, tem asfalto agora.

NOVO CAPÍTULO

Em breve, um novo capítulo dessa história de crescimento deve ser escrito. O próximo empreendimento é o Megacentro Cultural Holoteca. O projeto foi doado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

A construção vai ter nove mil metros quadrados, com auditório para 800 pessoas, palco externo, salas de exposição e biblioteca. O objetivo é tão grande quanto os números. A ideia é que o espaço se torne um dos maiores atrativos turísticos de Foz do Iguaçu.

"A gente pretende, em breve, deve dar início à construção, provavelmente, em dois anos. Estamos numa fase de captação de recursos para poder construir porque é uma obra bem grande e vai mexer bastante com o turismo de Foz", explica.

A Cognópolis mostra que, no investimento pessoal, de cada pesquisador em autoconhecimento, também a cidade investe e se desenvolve, numa evolução em conjunto, em sintonia com uma lei maior, ainda misteriosa para a maioria das pessoas.

SERVIÇO

Todos os dias, às 12h30, os conceitos dessa ciência são apresentados aqui. O Centro de Estudos da Conscienciologia em Foz do Iguaçu também recebe visitantes, de domingo a domingo, das 9h às 17h. Não é preciso pagar nada para entrar. O acervo também fica à disposição dos turistas.

O Centro de Altos Estudos da Conscienciologia fica na Rua da Cosmoética, 1511, no Bairro Cognópolis. O telefone do local é o (45) 3525-2652 e o e-mail, ceaec@ceaec.org.

Fonte:

http://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/noticia/2016/07/cidade-do-conhecimento-em-foz-do-iguacu-recebe-40-mil-pessoas-por-ano.html   

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