Budel e advogados de Reni trocam ofensas e juiz quase suspende a sessão | Tribuna Popular

Budel e advogados de Reni trocam ofensas e juiz quase suspende a sessão

Data: 15/06/2017 - 00:06 | Categoria: Política |   Bookmark and Share

Budel: “O senhor me respeite. Voz alta não me assusta”, Advogado: “O senhor está sendo mal educado”. Budel: “Mal educado é o senhor”, “De cabeça eu não lembro, mas tenho anotado. O Aires me entregou uns 30 mil reais. Ele trouxe um envelope e me entregou”,

Advogado – O senhor é padrinho do ex-prefeito Samis da Silva?

Budel – (já irritado) Sou. Eu gostaria de fazer uma pergunta ao excelentíssimo juiz se esse assunto ai eu não vejo constante em nenhum dos itens que eu sou denunciado nessa operação Pecúlio. Não faz parte dos fatos que estão na denúncia. Eu pergunto, excelência, se cabe isso.

Juiz – Eu não tenho acesso à estratégia da defesa e se ela entender como relevante, eu não tenho como cercear a defesa.

Advogado – Na época em que o senhor era presidente da Câmara o senhor fez uma comissão que resultou na cassação de seu ex-aliado, Paulo Mac Donald?

Budel – (ergue a voz) O senhor está totalmente enganado, doutor. Antes do senhor fazer a pergunta, deveria pesquisar o que tem nos anais da Câmara. O senhor deveria saber que presidente de Câmara não instala CPI, quem instala é o plenário. Em segundo, o Paulo não foi cassado, ele tinha maioria na Câmara. O prefeito Reni sabe bem a história.

Advogado – Então o senhor confirma que para não cassar o prefeito Paulo o senhor fez um acordo que culminou com a nomeação de 60 cargos na Prefeitura por indicação sua?

Budel – Negativo. Todas as indicações no governo Paulo Mac Donald foram da mesma forma como aconteceram em todos os governos municipais, como ocorreram no governo de Reni.

Advogado – O senhor afirma em seu acordo de delação que o prefeito Reni não confiava na sua pessoa. O senhor confirma isso?

Budel – Confirmo. Naquele momento ele não confiava. Tanto é que era para eu ser nomeado secretário de Obras e não me nomeou. Eu sentia isso, mas fui parceiro. Tive essa confirmação quando estive preso junto com outros colaboradores que estavam presos comigo. Depois o prefeito tirou aquela imagem que ele tinha, porque eu teria feito isso ou aquilo, mas no governo dele fui leal e parceiro e trabalhei para fazer um bom governo.

Advogado – O que seria isso ou aquilo?

Budel – Porque eu havia mudado de partido (...) Num país onde não existe partido político de verdade, onde as agremiações são instrumentos para se chegar ao poder, não existe fidelidade partidária, olha o que acontece no Brasil inteiro, então a argumentação é essa, de que eu tive no PTB, no PMDB, PSDB. Estive, sim, como tantos outros políticos, inclusive o Reni, estiveram em vários partidos.

Advogado – Um dos motivos não foi o acordo que o senhor fez com o Paulo Mac Donald para que não se realizasse a cassação dele?

Budel – Isso aí é elocubração.

Advogado – Se eu lhe mostrar alguns documentos o senhor pode ficar surpreso.

Budel – Pode mostrar, quero ver você mostrar documentos que tenha minha assinatura, isto ou aquilo. Eu não nomeei nenhum.

Advogado – Em janeiro de 2015, o senhor se recorda  de um episódio em sua secretaria de obras no qual dois funcionários foram conduzidos à Delegacia de Polícia suspeitos de utilizar maquinário da prefeitura em obras particulares no Jardim Cataratas?

Budel – Eu estava junto com o prefeito Reni.

Advogado -  O senhor tem conhecimento que referidos funcionários afirmaram que tinham a sua autorização para fazer o serviço em terreno particular com maquinário da Prefeitura?

Budel – Desconheço, porque é uma mentira, jamais faria isso. Até porque a surpresa que o prefeito teve quando chegamos lá, foi a minha também. Pode ter havido desvio, mas com o meu consentimento, amigo, não.

Advogado – O senhor tem conhecimento que a Guarda Municipal foi chamada para verificar essa suspeita a pedido do prefeito Reni Pereira?

Budel – Eu estava junto.

Advogado – Foi chamada pelo prefeito?

Budel – O prefeito chamou e fizemos o que tinha de ser feito.

Reni Pereira – (áudio ruim, incompreensível)

Budel – (nervoso) Fala mais alto, fala?

Advogado – Aqui eu represento o prefeito. O Reni me disse que o senhor não estava lá na hora em que a GM abordou esses dois funcionários.

Budel – O prefeito me chamou lá e foram tomadas todas as providências. Eram funcionários que não tinham cargos de confiança. Eram do município.

Advogado – Perfeito, então o senhor não estava, o senhor foi chamado. Fui apreendida uma folha A 4 com diversas anotações contendo nomes de pessoas e respectivos valores. O senhor pode nos dizer em que circunstância foram apreendidos esses documentos?

Budel – Isso fez parte da Operação Nepoti. Foram fases distintas. Eu fui conduzido dia 19 e preso no dia 5. O documento foi apresentado dois meses depois. Esse documento estava nessa carteira, dobrado no formato A4, em três dobras. Nele tinha um resumo do que eu deveria prestar contas ao prefeito a respeito do que eu estava cumprindo. Isso estava na minha carteira, não foi apreendido pela Polícia Federal.  Minha esposa encontrou dentro desta pasta, depois meu irmão que estava acompanhando lá porque eu fui preso, as contas continuavam chegar e eu dependia de salário (...) Minhas esposa não, não, não distinguiu (...) meu irmão achou que aquilo ali dizia algo e pediu que ela fizesse uma cópia e entregasse ao Dr. Oswaldo, meu advogado. Mas foram dois momentos: ela estava na minha carteira quando eu fui preso e minha carteira ficou em casa. Isso só veio a tona dois meses depois.

 “De cabeça eu não lembro, mas tenho anotado. O Aires me entregou uns 30 mil reais. Ele trouxe um envelope e me entregou”.

Advogado – Aires Silva, em seu termo de colaboração premiada, afirmou que entregou valores ao senhor em diversas oportunidades. O senhor poderia descrever de forma circunstanciada todas as vezes que Aires Silva lhe entregou esse numerário?

Budel – De cabeça eu não lembro, mas tenho anotado. Foram uns 30 mil reais. Ele trouxe um envelope e me entregou.

Advogado – Só uma vez ele lhe entregou?

Budel – Não. Teve, teve, teve, das medições da (...) Ativa a maioria era ele quem recolhia. (...) do tapa buraco.

Advogado – Quantas vezes o senhor recebeu numerário da pessoa de Aires Silva ?

Budel -  Putz, olha, foram várias vezes. Isso tudo está na planilha que faz parte da Operação Nepoti. Mas foram várias vezes.

Advogado – O colaborador Fernando Bijari também afirma que entregou diversos valores ao senhor. O senhor se recorda desses valores?

Budel – Do Fernando Bijari acho que foram duas. Uma na rua Mato Grosso e outra na Costa e Silva.

Advogado – Qual a quantia entregue ao senhor?

Budel – Eu não vou tirar a planilha da Nepoti aqui, mas numa delas foi 25 mil e esses valores estão discriminados na Operação Nepoti.

Advogado –Mas o senhor não se recorda quais foram os valores?

Budel – Numa foi 25 mil e acho que na segunda foram 30 mil. Como foram vários pagamento eu não tenho de cabeça esses valores.

Advogado -  O senhor possui bens móveis e imóveis em seu nome ou de terceiros?

Budel – Se o senhor acompanhou o meu processo, o meu imposto de renda foi um dos documentos apreendidos. Na minha vida política, ao invés de ter evolução patrimonial, eu tive involução. Tenho um apartamento em Curitiba de 30 anos atrás, um flatezinho conjugado em Foz que comprei no ano 2.000, um terreno em Foz que eu comprei em 2005. Esses são os bens que eu tenho.

Advogado – Em seu nome, mas....

Budel – E o terreno que eu tenho em Foz está em nome da minha filha. E passei para minha filha, para você não dizer que estou tirando patrimônio do meu nome, por orientação contábil, porque ela não tinha imóvel e meu contador falou: passa para sua filha porque ela é isenta de tributação ao receber e na primeira venda não tem tributação de imposto de renda. Por isso eu passei pra ela.

Advogado – Qual foi o ano em que o senhor realizou essa transação?

Budel – Acho que foi em 2015.

Advogado – O senhor poderia informar a esse douto juízo se a superintendência do Foztrans era autônoma?

Budel – O Foztrans tem orçamento próprio, só que a aprovação e a realização desse orçamento depende de controle da Prefeitura. Mas o superintendente responde pela gestão financeira.

Advogado – O senhor esteve presente no evento que lançou a pavimentação asfáltica da Avenida Felipe Wandscheer?

Budel – Não recordo. Eu não era secretário de Obras na época. (...) não recordo.

Advogado – Minha pergunta é motivada porque há pouco o senhor nas ilustres indagações do senhor na Justiça, declinou diversos detalhes sobre essas licitações envolvendo a pavimentação da Felipe Wandscheer, mas agora o senhor não se recorda nem do lançamento dessa obra....

 “O prefeito estava de cabelo arrepiado porque iria perder o prazo, daí me passou a incumbência de agilizar o processo”

Budel – Doutor, tirando a sua ironia de lado, vou lhe explicar, porque como eu não conheço Direito, o senhor não conhece Engenharia. Por isso não está entendendo. O prefeito Reni que está aí ao seu lado me convidou a ir para o Foztrans, principalmente porque nós estávamos correndo – e o senhor lembra, prefeito Reni -  de perdermos o PACÃO de 78 milhões que tinha de ser protocolado na Caixa no dia 31 de outubro de 2015 e o projeto de engenharia básico, quem vinha fazendo era uma empresa contratada pelo Foztrans e os serviços não estavam deslanchando. O prefeito estava de cabelo arrepiado porque iria perder o prazo, me passou a incumbência de agilizar. Conseguimos no dia 31 de outubro de 2014, às 17 horas protocolar na Caixa. Portanto, eu conheço o projeto por ser engenheiro, por ter acompanhado tudo. Segundo, a partir do momento em que eu assumi a secretaria de Obras, eu tinha de estar por dentro das ações. Então, os detalhes eu conheço desde o projeto até sua construção.

Advogado – O senhor tem conhecimento se as empresas do colaborador Nilton Beckers, a SR, já realizou obras em outros municípios da região, financiadas pela Caixa?

Budel – No tempo em que eu estive preso com o Nilton Beckers na carceragem da PF, ele me falou que tinha obras em vários municípios. Eu sabia apenas em Foz e Itaipulandia. Na época ele me falou que tinha cerca de R$ 240 milhões em contratos.

Advogado – O senhor tem conhecimento a respeito dos contratos firmados com a Caixa pra pavimentação asfáltica?

Budel – Tenho. Foi o Pacão 2. Participei de todo o trâmite final para o projeto de engenharia. Qual o pepino lá, já que o senhor tocou no assunto tenho de lhe explicar tecnicamente. Das quatro obras – e me desminta, prefeito, se não for verdade – A Felipe Wandscher, as duas marginais e a Andradina eram as obras do Pacão e mais o Sinfoz. As Avenidas marginais da 277, como a BR é concessionada ao Governo do Estado, que repassou para a Ecocataratas, tinha de ter a aprovação da concessionária e do DER. Pra vencer o prazo da Caixa, que era 31 de outubro, tivemos de ir atrás do projeto. Esses dois projetos é que estavam complicando para ser ter o PACão contratado.  Era um valor grande e Foz não poderia perder, assim como os 16 milhões do Sinfoz para modernizar o sistema de trânsito e transporte.

Advogado – Como era feito o pagamento por conta dessas obras de asfalto?

Budel  - Por medição.

Advogado – E quem apresentava as medições, a empresa?

Budel – A empresa apresentava a medição, a fiscalização da Prefeitura e Caixa acompanhavam, era certificado, daí a papelada era encaminhada ao departamento técnico da Prefeitura onde estavam o Valter Jr e mais o Ricardo que faziam a interface com a Caixa.

 

Advogado – Em relação ao contrato firmado entre a empresa que prestaria o serviço, a Prefeitura e a Caixa, era necessário afiançar uma garantia real para que os serviços fossem realizados?

Budel – Garantia real?

Advogado – Seguro fiança...

Budel – Como o contrato e as empreiteiras, não me recordo... acredito que tinha, mas não tenho certeza.

Advogado –Naquela reunião no Foztrans, que o senhor havia mencionado, o senhor afirmou que houve solicitação de propina por parte do prefeito Reni Pereira. Em alguma outra oportunidade o senhor se reuniu com os empreiteiros para solicitar qualquer espécie de vantagem ilícita?

Budel – O Nilton Beckers era o coordenador e com ele eu me reuni várias vezes para tratar deste ponto.

Advogado – Essas reuniões eram feitas entre o senhor e  o Nilton?

Budel – O start foi dado pouco antes de eu assumir a Secretaria de Obras, onde eu e o Nilton estivemos reunidos com o prefeito. Daí foi dado o aval para a continuidade, da necessidade de...de...de...fazer surgir recursos das empresas do Nilton para atender o caixa da Câmara.

Advogado – O senhor tem conhecimento que o empresário Luiz Pereira apoiou na campanha de 2012?

Budel – O Luiz era do PTN, eu estava em outro palanque. Ele elegeu dois vereadores que, a princípio, eram da base, mas depois a vereador Anice saiu e ficou somente o Darci DRM.

Advogado – O senhor tem conhecimento se a empresa Labor tinha contrato firmado antes da gestão Reni Pereira?

(...)

Advogado – O senhor falou que o Valter Jr alimentava o sistema Sincofoz. Esse sistema era vinculado a Secretaria de Obras ou ao Foztrans.

Budel – Era junto ao gabinete. O sincofoz já vinha da administração anterior. O prefeito Reni deu continuidade e ainda segurou funcionários que trabalhavam lá, mas dai foi criada uma equipe. A parte física era no gabinete.

Advogado – Obrigado. Estou satisfeito. O Dr. Jorge tem mais questionamentos?

Dr. Jorge – Com certeza. O depoente sabe qual o procedimento para licitações ou dispensa de licitações na Prefeitura?

Budel – Os procedimentos eram realizados pelo Departamento de Compras. Quando havia necessidade de parecer jurídico, definindo pela não realização de licitação, em caso de emergência, daí passava pelo jurídico.

Dr. Jorge – Existia uma comissão específica de licitação?

Budel – Existia e existe ainda.

Dr. Jorge – Tem conhecimento se as pessoas que compõem essa comissão são cargos comissionados ou de carreira?

Budel – Tinha funcionário de carreira e comissionados.

Dr. Jorge – Cada secretaria tinha uma comissão própria?

Budel – Geralmente era conduzido pelo Departamento de Compras, mas na área de saúde tinha de ter pessoas técnicas da área para poder acompanhar. Assim como tinha pessoas da Obras para acompanhar licitação desse setor.

Dr. Jorge – A decisão era tomada por uma pessoa ou do colegiado?

Budel – A decisão era definida técnica e financeira pela melhor proposta apresentada, se não tinha problema jurídico. A comissão emitia um parecer.

Dr Jorge – Os incidentes em uma licitação, eram decididos por quem?

Budel – Pela comissão e com o apoio jurídico da Prefeitura.

Dr. Jorge – Nos anos de 2014 a 2016 o depoente consegue relatar os nomes das pessoas que compuseram essas licitações?

Budel – 2014 eu não estava na Obras, quando eu foi para a secretaria, eu sei que as pessoas técnicas da Obras era o engenheiro Iratan, diretor de pavimentação, e, se não me engano, o Lavinicki.

Dr. Jorge -  O senhor tem conhecimento sobre o procedimento da Caixa para pagamento das obras realizadas no financiamento do PAC?

Budel – Medição apresentada pelo empreiteiro, fiscalização da Prefeitura, diretor atestava e vinha para o secretário que certificava. Daí o secretário mandava para a assessoria técnica que fazia a interface preparar toda a documentação que geralmente era um calhamaço. O encaminhamento final era do prefeito, pois a Caixa não aceitava de outra forma. Mas era empreiteiro, prefeitura, fiscal da Caixa e o engenheiro da Caixa também participava.

Dr. Jorge – O fiscal da caixa fiscalizava os relatórios da Prefeitura antes de ....

Budel – Ele acompanhava.

Dr. Jorge – Ele acompanhava ou fiscalizava?

Budel – Acompanhava e assinava. Agora, a profundidade da fiscalização dele eu não acompanhava porque não ia a campo. Toda hora havia divergências.

Dr. Jorge – Algumas dessas obras foram projetadas para valorizar imóveis do prefeito Reni?

Budel – Nunca soube, desconheço e o prefeito Reni nunca me falou sobre isso.

Dr. Jorge – O depoente conhece Ivete de Fátima?

Budel -  Conheço. 

Dr. Jorge – O depoente pediu ao Reni a nomeação de algum cargo para ela ter um rendimento maior?

Budel – Ela assumiu um CC 2 e trabalhou um mês e pouco na fiscalização de iluminação pública.

Dr. Jorge – Essa nomeação foi a pedido do depoente?

Budel – Foi. Tá gravado.

Dr. Jorge – Qual é a relação do depoente com essa pessoa?

Budel – Hoje nenhuma.

Dr. Jorge – Essa melhoria financeira era só para a Fátima, mas o depoente tinha algum interesse.

Budel – (alterando a voz) Em absoluto. Essa pergunta é inoportuna, eu nego veementemente e me sinto ofendido com esse tipo de pergunta.

Dr. Jorge – Nega o que?

Budel – (aos berros) Nego, nego, nego. E mais um detalhe: o prefeito Reni está do lado para meu ouvir. As poucas indicações que fiz – duas no máximo – foram de pessoas que só ajudaram a administração. Essa é a verdade.

Dr. Jorge – Com todo o respeito, eu estou sendo educado, mas o senhor não está sendo educado....

Budel – (bastante alterado) Muito pelo contrário, o senhor me faz uma pergunta extremamente ofensiva, porque o senhor não me conhece pra isso e quer que eu aceite? Eu estou respondendo à altura, mas se o senhor me tratar com respeito vai ter a recíproca.

Dr. Jorge – Nesse período o senhor chegou a se separar da primeira esposa?

Budel – Estive separado, sim, mas isso é problema pessoal meu que não vem ao caso.

Dr. Jorge – Então, nesse período o depoente tinha duas famílias, a Ivete e....

Budel – (visivelmente nervoso) Eu estava separado. Não compete aqui discutir a minha vida pessoal. Vou responder a respeito do tema, porque o senhor está indo para o lado pessoal.

Dr. Jorge – Desculpe. Quando o senhor foi preso a Ivete de Fátima não estava no seu apartamento?

Budel – Não senhor. O Reni está desinformado, ele está lhe informando de maneira errônea.

Dr. Jorge – O ministério Público diz que o Reni junto com outras pessoas, fraudou mediante ajustes a concorrência 27/2014 que é do PAC. O senhor tem conhecimento sobre essa suposta fraude?

Budel – Não tenho como lhe falar pois não participei desta licitação e esse tema não está em nenhum dos itens em que fiz a delação e nem tampouco na denúncia.

Dr. Jorge – Eu devo lhe dizer que o senhor está na qualidade de testemunha e não é em relação ao seu processo, mas em relação à defesa de Reni.

Budel – (aos berros) Eu sei

Dr. Jorge (também aos berros): O senhor me respeita.

Budel – (aos berros) O senhor me respeita também. Voz alta não me assusta. O senhor tem os cabelos brancos, eu também tenho, então estamos em igualdade de condições.

Momento de gritaria: “Ele está sendo mal educado”. “Mal educado é o senhor”

(O juiz intervém, e o advogado fala):

Dr. Jorge – (gritando) Ele está sendo mal educado.

Budel – (gritando) Mal educado é o senhor.

Juiz – Dr. Budel, o senhor deve estar exausto....

Budel – Dr. Peço-lhe desculpas, mas eu não sou criança e o advogado que tem cabelos brancos e acha que peão do interior corre de batidas....

Dr. Jorge – Eu lhe fiz uma pergunta....

Budel (aos berros) – O senhor me trate com respeito que eu vou lhe tratar com respeito.

Juiz – Dr. Carlos Budel, eu pediria que o senhor se acalmasse....e respondesse objetivamente as perguntas do dr. Aqui que vai continuar seus questionamentos.

Budel – Eu estou calmo, excelência.

Dr. Jorge – Diz a denúncia que no dia 10 de março de 2016 Reni Pereira aceitou promessa e recebeu vantagem. Qual o conhecimento do depoente sobre esse fato?

Budel – O senhor poderia me relatar o fato?

Dr. Joger – Está relacionado com a empresa Visual Terraplanagem que Reni teria recebido promessa de vantagem dessa empresa.

(Budel folheia o processo e procura nos autos)

Dr. Jorge – Vamos prosseguir senão a gente não termina hoje. Diz a denúncia que Reni Pereira juntamente com outras pessoas dispensaram a realização de licitação dos casos previstos em lei bem como deixaram de observar formalidades da licitação 44/2014. Qual o conhecimento do depoente sobre esse fato?

Budel – Vou tentar localizar o fato...Pelo que me consta é a ida do Aires a São Miguel pegar 30 mil reais na Visual, é isso? Isso eu já expliquei detalhadamente.

Dr. Jorge – Com relação ao ítem 6.1 dispensa a licitação da empresa People....

Budel – Qual obra que é?

Dr. Jorge – Licitação da People Soluções

Budel - Desconheço.

Dr. Jorge – Ítem 6.2 prorrogação de um contrato de que Reni teria dado vantagem indevida no processo de dispensa 44/2014, também envolvendo a People Soluções.

Budel – Desconheço, não é da minha área.

Dr. Jorge – No item 6.3 também fraude em licitação da People, concorrência 19/2014 (;;;) em que Reni teria comprometido o caráter comprometido do certame...

Budel – Deconheço.

Dr. Jorge - Em relação ao item 6.4, também fraude em licitações, 15/2015 diz que Reni Pereira dispensou licitação em beneficio da Abravix Comércio. Tem conhecimento disso?

Budel – Desconheço

Dr. Jorge – Item 5.6 diz que o prefeito Reni Pereira teria frustrado e fraudada a concorrência envolvendo a Abravix....

Budel – Desconheço.

Dr. Jorge – O item 6.6 fala em dispensa de licitação da Abravix diz que Reni e outros teriam deixado de cumprir com as formalidades legais e dispensado a licitação....

Budel – Desconheço

(...)

Dr. Jorge – Item 12. De que o Reni teria embaraçado a Operação Pecúlio, tem conhecimento?

Budel – Não. Nesse período eu estava preso.

Advogado – Reni é acusado de coação a Nilton Beckers, tem conhecimento?

Budel – Não. Só o que está nos autos.

Advogado – tem conhecimento de que Reni coagiu Girnei de Souza?

Budel – Desconheço.

Dr Pedro - Eu tenho uma pergunta bem simples, de que sua carteira não estava com o senhor quando foi preso?

Budel – A minha carteira ficava no meu apartamento ao lado do telefone. A PF levou o computador, os pendrives, e pastas de documentos. Eles não revistaram  a minha carteira quando eu fui preso. Isso veio a tona dois meses depois porque a Eve mexeu na minha documentação para fazer acertos de contas de IPTU porque eu havia ficado sem salário e meu irmão ficou de fazer isso pra mim. O Domingos viu o documento e percebeu que havia algo relacionado. Foi tirada uma cópia e entregue ao dr Oswaldo que iniciou a tratativa.

Juiz: o depoimento está encerrado, o senhor está dispensado e tenha uma boa tarde em Curitiba.

Budel – Boa tarde a todos.

Fonte: http://www.jtribunapopular.com.br/uploads/publicacoes/jornal-tribuna-popular-edicao-217-pdf.pdf

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