A Foz do Iguaçu que “não virou a página” | Tribuna Popular

A Foz do Iguaçu que “não virou a página”

Data: 28/11/2019 - 10:11 | Categoria: Política |   Bookmark and Share

A prometida solução com a Usina de Asfalto não veio e a população sofre com a lentidão e a baixa qualidade dos serviços de pavimentação

Em Junho de 2018 o prefeito Chico Brasileiro (PSD) anunciou com grande ênfase a inauguração da Usina de Asfalto e sua capacidade de produzir até 300 toneladas dia. “A implantação da usina era um sonho do nosso governo e atende a uma das principais demandas da população. Com essa estrutura, poderemos reforçar os serviços de pavimentação no município e garantir que as ruas recebam manutenção de forma constante e com maior qualidade. Podemos garantir que as melhorias serão constantes e não ficaremos dependendo de licitações e empresas terceirizadas”, explicou o prefeito Chico Brasileiro, quando a usina foi inaugurada em 30 de Junho de 2018.

Passados 18 meses e com um total de investimento superando a casa dos 10 milhões de reais, das prometidas 300 toneladas dia, a Usina produziu apenas pouco mais de 35 mil toneladas durante esse um ano e meio de existência. Os números são do próprio município e foram enviados para nossa redação pela assessoria de comunicação da administração municipal.

O “desejo” da administração municipal de “não ficar refém das empresas” (leia-se empreiteiras), ficou apenas no campo dos “desejos”. Levantamento realizado por nosso departamento de acompanhamento de licitações públicas apontam que de Janeiro de 2018 até Novembro de 2019 o município adquiriu quase 23 milhões de reais em CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado A Quente).

O que chama a atenção na aquisição do CBUQ é que conforme declarado pelo secretário municipal de Obras César Furlan (na época diretor de Serviços de Manutenção), em matéria veiculada no dia 29 de Junho de 2018, no portal de notícias do município, o CBUQ teria uma qualidade inferior ao PMF (Pré-Misturado a Frio) que seria produzido pela Usina de Asfalto. “A usina produzirá o chamado asfalto a frio, ou PMF (Pré-Mistura a Frio), que oferece maior resistência, estabilidade e durabilidade. Este material é fabricado da mesma maneira que o asfalto convencional, porém recebe um aditivo durante o processo de usinagem que permite a aplicação a frio, ao contrário do asfalto convencional que deve ser aplicado a quente.”, diz a matéria que pode ser lida no seguinte link: http://www.pmfi.pr.gov.br/noticia/?idNoticia=42257 .

Perguntamos ao diretor de comunicação do município, diretor Madson Oliveira, o que justificaria a aquisição de CBUQ? Já, que segundo a declaração acima, a qualidade do PMF é superior. A exemplo de outros questionamentos, não obtivemos respostas.

Entre os questionamentos sem uma posição oficial do município estão: Onde está sendo utilizado o PMF fabricado na Usina Municipal? Quanto foi gasto nos últimos dois anos na aquisição de CBUQ? E onde foi aplicado? Qual foi o valor economizado com a Usina? E em caráter de prestação de contas à população, desde sua instalação, onde foi utilizado (ruas / avenidas) o PMF da Usina?; e Qual o motivo para continuarmos abrindo licitações para aquisição de Asfalto?

A não resposta pode justificar também o fato de que os processos licitatórios monitorados pelo Jornal Primeira Linha/Folha da Fronteira passaram por uma série de recursos e um grande volume de aditivos.

Casos como a licitação 05/2018, vencida pela empresa Via Venetto Construtora de Obras Eireli, onde além de vários aditivos, houve recomendação por parte da Procuradoria Geral do Município para que fosse aberto um processo administrativo nos dois lotes licitados.

Os lotes compreendem ruas da região da Vila C (Nova e Velha), Jardim Bela Vista de Itaipu, Vila São Sebastião. O lote 1 também contempla o acesso ao NEPOM (Núcleo Especial de Polícia Marítima), localizado na Avenida Beira Rio, no bairro Vila Portes. Os dois lotes tem em comum uma parceria entre o município e a Itaipu Binacional.

No parecer jurídico 584/2019, datado de 11 de Junho de 2019, o procurador geral do município recomenda que “desde cumpridas todas as recomendações deste parecer, visando possibilitar o cumprimento do contrato e o atendimento ao interesse público na conclusão das obras, entendo pela possibilidade de prorrogação do contrato, reiterando a solicitação de abertura de procedimento administrativo com vistas a apurar os motivos da apresentação dos pedidos às vésperas de seu vencimento”, Osli de Souza Machado.

As obras contempladas pelo Lote 1 e Lote 2 tinham seu prazo de término definido na assinatura do contrato para a data de 13 de abril de 2019. Com os aditivos e prorrogações o prazo foi dilatado para 10 de setembro de 2019. Segundo o Tribunal de Contas do Paraná o lote 1 está com 56,29% de suas obras executadas e o Lote 2 está com 15,80%. A última medição de ambas foi realizada no dia 16 de Outubro de 2019.

Segundo João Virgílio Merighi, professor de engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie à revista Exame, Como resultado, há uma redução de custos que afeta desde a terraplenagem (com uma compactação insuficiente) à espessura das camadas. “‘Olha, para consertar a estrada, a espessura deve ser de 7 cm’, mas aí vem um político e fala que só tem dinheiro para 3. O que se faz? Pega o dinheiro, divide pelos quilômetros que se quer fazer e se encontra a espessura”.

Na segunda-feira (25), nossa equipe de reportagem foi a campo e visitou algumas ruas dos bairros Vila C e Portal da Foz e a tal “espessura” chamou atenção. Os registros fotográficos falam por si. O que encontramos foram máquinas paradas, asfalto se deteriorando, buracos e até grama crescendo em meio ao asfalto novo.

“Na minha rua vieram limpar o ano passado dizendo que a obra ia começar e estamos esperando até agora as máquinas chegarem”, diz uma moradora da Vila C.

O site Flatout (https://www.flatout.com.br/ ) apontou os cinco fatores que tornam o asfalto brasileiro tão ruim: a execução inadequada; a Pavimentação inadequada; Métodos e tecnologias ultrapassadas; Manutenção inadequada; e a falta de fiscalização – das obras e do tráfego. Dentre os cinco motivos, o que pudemos constatar nas ruas visitadas o último item foi o que mais chamou a atenção: a falta de fiscalização.

Fonte:

https://www.primeiralinha.com.br/home2/folha_noticias.php?cod_edicao=627&cod_noticia=12670&titulo=asfalto-parte-1:-a-foz-do-iguacu-que-?nao-virou-a-pagina   





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